terça-feira, 17 de julho de 2012

Boas férias!

A segunda fase do exame de Filosofia está passada e todos os alunos se 
devem já sentir em plenas férias. Eu também estou quase a sentir o mesmo. 

Desejo a todos os alunos e leitores deste blog umas boas férias. Cá estaremos 
no início do próximo ano lectivo, talvez com cara lavada. Entretanto deixo-vos 
esta bonita canção, para apreciarem com calma.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Microbiblioteca básica de Filosofia

Várias pessoas (alunos e não só) me têm pedido para lhes indicar três ou quatro livros que sejam acessíveis e lhes dêem uma boa ideia do que é a filosofia, munindo-as também dos rudimentos necessários para começar a intervir na discussão filosófica de uma forma mais informada, rigorosa e disciplinada.

Bem vistas as coisas, o que me pedem é ideias para uma microbiblioteca básica de filosofia. Sugiro seis -- não apenas três ou quatro -- livros que apresentam a filosofia por vias diferentes: 

1) uma introdução geral, abordando os principais temas e problemas da filosofia; 
2) uma história da filosofia, para familiarizar o leitor com a tradição filosófica, os diferentes contextos filosóficos e seus principais protagonistas; 
3) um dicionário de filosofia, que é uma ferramenta a ter sempre à mão para esclarecer dúvidas e compreender melhor certas ideias e conceitos; 
4) um exemplo directo e actual de como se faz filosofia; 
5) um exemplo vivo do diálogo entre filósofos e pessoas comuns; 
6) um clássico da filosofia para começar.

1. Há, felizmente, muito boas introduções à filosofia para escolher, em língua portuguesa: a de Nigel Warburton, a de Simon Blackburn, a de Daniel Kolak e Raymond Martin, entre outras. Mas sugiro antes a de James Rachels, por ser clara, acessível e rigorosa (como as outras), mas num tom menos escolar do que a de Warburton, menos exigente para quem se inicia do que a de Blackburn e mais informativa e abrangente do que a de Kolak e Martin. 

James Rachels, Problemas da Filosofia (Gradiva)



2. Também há várias histórias da filosofia à escolha, algumas delas em vários volumes. Porém, a melhor porta de entrada para a história da filosofia é o mais recente livro de Nigel Warburton. Uma Pequena História da Filosofia inclui 40 curtos capítulos (de cerca de 5 páginas) sobre outros tantos protagonistas e momentos altos da tradição filosófica, desde os primórdios aos nossos dias. É um livro muito acessível, informativo, interessante e de leitura quase compulsiva.

Nigel Warburton, Uma Pequena História da Filosofia (Edições 70)



3. Há, talvez, ainda mais dicionários de filosofia publicados do que histórias da filosofia, alguns deles excelentes. Contudo, quase sempre têm um de dois problemas: ou têm demais para quem está a dar os primeiros passos ou têm de menos para quem quer avançar um pouco mais do que isso. Essa foi a razão principal que me levou a organizar o Dicionário Escolar de Filosofia, pelo que me arrisco a sugerir um livro do qual sou autor, entre vários outros colaboradores com mais competência científica do que eu próprio.

Aires Almeida (org.), Dicionário Escolar de Filosofia (Plátano)



4. Exemplos directos de como se faz filosofia são as obras dos próprios filósofos: de Platão, Aristóteles, Descartes, Hume, Kant, Hegel, Husserl, Russell, Sartre. Acontece que a maior parte dos livros destes filósofos não foram escritos a pensar sobretudo no leitor comum, além de muitos deles terem sido escritos há muitos anos, com um estilo, uma linguagem e exemplos próprios dessas épocas, dificultando naturalmente a compreensão do leitor actual sem qualquer treino na matéria. Filosofia em Directo, de Desidério Murcho é, pelo contrário, um livro em que se discutem as questões filosóficas numa linguagem actual e a pensar precisamente no leitor comum, mesmo no leitor sem treino filosófico.

Desidério Murcho, Filosofia em Directo (Fundação Francisco Manuel dos Santos)



5. Muitas pessoas pensam nos filósofos como seres distantes que discutem questões que pouco ou nada dizem respeito às pessoas comuns. Um exemplo vivo que contraria essa ideia encontra-se no livro Que Diria Sócrates?, no qual vários filósofos profissionais respondem a questões colocadas por pessoas com diferentes formações e preocupações. Trata-se das questões filosóficas de sempre a partir de exemplos actuais. É uma boa maneira de ver os filósofos dialogar com todo o tipo de pessoas, desafiando-as a pensar melhor e a reavaliar as suas ideias.

Alexander George (org.), Que Diria Sócrates? (Gradiva)



6. Como disse atrás, os clássicos da filosofia nem sempre são de fácil acesso a principiantes. Mas há, mesmo assim, obras que conseguem ser suficientemente acessíveis e que podem proporcionar um primeiro e compensador contacto directo com as ideias dos grandes filósofos. Meditações Sobre a Filosofia Primeira, de Descartes, é um bom começo. Descartes era um filósofo que procurava escrever de forma acessível sobre alguns dos mais centrais problemas da filosofia. Nesse clássico da filosofia ocidental são tratados problemas de metafísica, de epistemologia e até de filosofia da religião, que são algumas das mais importantes disciplinas filosóficas.

Descartes, Meditações Sobre a Filosofia Primeira (Almedina)



Esta é a biblioteca filosófica básica mais pequena que me ocorre.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Resultados dos exames


Os alunos do 11º N que fizeram o exame de Filosofia já devem ter visto os seus resultados. A média nacional dos alunos internos foi de 8,9 valores (juntando os externos, foi de 7,8). Embora alguns alunos não se sintam completamente satisfeitos, pode-se dizer que os resultados até não foram maus, pois não houve negativas na turma e a média geral foi bastante acima da média nacional. Houve até um de vós que obteve no exame uma nota (17 valores) ligeiramente melhor do que a que eu lhe atribuí no final do ano.  

Comparando a vossa média de exame com a média geral da classificação interna, verifica-se que ficaram 1,5 valores abaixo da minha avaliação: a vossa média interna foi de 14 valores e a do exame 12,5. Espero que não se tenham arrependido de terem optado por fazer o exame de Filosofia.  

Dado que a foto acima do 11º N (a minha única turma de humanidades do 11º ano) já foi algures publicada, presumo que os alunos fotografados não levantem qualquer objecção à sua inclusão aqui. Se houver, é só dizerem, que eu removo a foto. De qualquer modo, só há ali um figurão a destoar. Boas férias!